A era criatecnológica dos Samuteus – I

Entre palavras soltas e muitas ideias, o clã dos minúsculos decidia o nome adequado para o projeto de suas vidas. Torna-se um minúsculo quando se participa do décimo segundo festival bienal da grande lua. Esse festival acontece bienalmente e é realizado pelo fenômeno natural que acontece no sistema de Rosuridrinir. É esse o nome do planeta principal e que também denomina a galáxia. Voltemos ao fenômeno.

A grande lua se caracteriza pelo enxerto de sabedoria e criatividade nas mentes dos nanos. Os nanos são pequenas criaturas nascidas de Enormus, o ápice do desenvolvimento dos habitantes de Rosuridrinir.

O enxerto de sabedoria e criatividade se dá por ondas coloridas, cada uma com um significado específico, e cheias de pó estelar que desce como chuva espacial nas mentes dos nanos, tornando-os, imediatamente, minúsculos. Eles dançam e se divertem alegremente. O ápice da mudança é celebrado com os projetos de vida que são desenvolvidos desde que eles são minúsculos. Lembro-me da cantiga cantada que inspira o festival. Ele foi escrita por Jomi, o grande e doce, que diz:

A água cai, alimenta e nutre

É visível, cristalina, sem sabor

Cai do céu, como presente

Sem asas, milagre do Criador

Repare nas cores das nuvens

Estão diferentes,

São rosas, verdes, azuis

laranjas, roxas e esdom,  a cor suprema

Anunciam e marcam

O sopro inspirador

Comida do Céu

Presente na mente

Criatecnologização

Quando fui minúscula, recebi as cores azul, rosa e esdom. O azul trazia a sensibilidade e silêncio nos ouvidos, o rosa a doçura e dissonância da voz, e o esdom o apego ao ensino. Isso trazia responsabilidade e dedicação ao passo-a-passo, modo como chamamos a missão de transmitir e instigar o pensar. Dessa forma, já como Enormus, me tornei instrutora dos minúsculos.

O grupo de minúsculos desse ano tinha recebido a cor Esdom em muitos de seus membros. Isso era instigante, pois, embora não houvesse requisito para recebê-la, os membros que a recebiam eram, geralmente, ambiciosos e cheios de personalidade. Dessa forma, eu esperava por dois anos terríveis, no melhor sentido possível. Levei-os aos túneis de ensino e eles conheceram os quartos nos quais dormiríam.

Andamos por todos os prédios de arquitetura moderna e ao final todos eles receberam os chips de conhecimento teórico, milênios de estudo teórico foram inseridos em suas mentes em questão de segundos. A tecnologia desenvolvida foi criada por um minúsculo inesquecível, Menphime. Lembro-me dele com carinho, pois era de pouca fala, de inclinação artística e desenhos que ilustravam palestras e discussões rotineiras. Naquele tempo os festivais da Lua aconteciam bienalmente, mas as turmas só se renovavam após quatro festivais, isto é, um intervalo de oito anos. Esse tempo era necessário para que todo conhecimento de milênios fosse ensinado e refletido por cada minúsculo.

O projeto do chip com informações milenares e teóricas foi o de um sistema de busca cerebral, baseado no impulso nervoso do nosso cérebro. Chip e cérebro eram conectados de tal forma que lembrava-se do que não se conhecia e criava-se o novo com mais facilidade, interrelacionando conhecimentos de áreas distintas e transformando angústia em soluções rápidas e salvadoras. Menphime testou o projeto piloto em si mesmo e espalhou a boa notícia para quem quisesse. Houve festival da Lua dois anos seguidos, tal qual um presente por uso tão acertivo das cores de criatividade e sensibilidade. Incentivei os minúsculos a formarem suas equipes e conversarem sobre as cores e projetos que individualmente cada um deles possuía.

Eles perceberam as cores olhando as três antenas principais em suas cabeças e, depois de um tempo já estavam divididos em equipes. A primeira atividade exigia que eles criassem um projeto tímido e que, poeticamente, escrevessem a canção que embalaria os dias eternos do que eles desenvolveriam. Os instrumentos começaram a tocar e pouco a pouco belas poesias surgiram.

“Embala-me no berço da paz, viajante sou, não tenho raiz, apenas a incrível missão de ser apaziguador”, “Sou o que como, como o que sou. Não sei pra onde vou, mas o andar e destino faço aqui” e “É artificial, olha o aspecto. Precisa ser real, final, espiral, estuda, estuda, estuuuudaaa”.

Terminamos com canções embaladas e três belos nomes definidos: Paziguão, Comébem e Importek. (continua…)

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Um comentário em “A era criatecnológica dos Samuteus – I

  1. Amei a estória Lívia, estou esperando ansiosamente a continuação!

    Curtido por 1 pessoa

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